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Hoje, queremos falar sobre a história e o significado da Páscoa.

Temos o costume de comemorar essa data em abril e normalmente fazemos um belo almoço com nossa família. Contudo, essa celebração começou muitos anos atrás, nos dias de Moisés, como uma forma de lembrar os feitos de Deus.

Os israelitas haviam sido libertos da escravidão e da opressão que viviam no Egito. No entanto, após ouvir o clamor do povo, o Senhor enviou Moisés para libertá-los (cf. Êxodo 3:7-8). 

A história narra a turbulenta saída do Egito. Deus havia endurecido o coração do Faraó de modo que, somente depois das dez pragas, o povo finalmente pôde partir. (cf Êxodo 7-11)

Porém, antes de partir, o Senhor ordenou:

“Falem a toda a congregação de Israel, dizendo: No dia dez deste mês, cada um tomará para si um cordeiro, segundo a casa dos pais, um cordeiro para cada família (...) — Naquela noite, comerão a carne assada no fogo, com pães sem fermento e ervas amargas. Não comam do animal nada cru, nem cozido em água, porém assado ao fogo: a cabeça, as pernas e as vísceras. Não deixem nada do cordeiro até pela manhã; o que, porém, ficar até pela manhã, queimem. É assim que vocês devem comê-lo: já prontos para viajar, com as sandálias nos pés e o cajado na mão. Comam depressa. É a Páscoa do Senhor.”

E assim, a Páscoa foi instituída. Era uma forma de sempre relembrar os feitos de Deus e como Ele libertou seu povo do Egito. (cf Êxodo 12:25-27). Quando se passa muito tempo, o ser humano parece apagar algumas coisas da memória. Por isso, é crucial sempre incentivar nossa mente a lembrar aquilo que mudou as nossas vidas.

Uma libertação, como a que os israelitas tiveram, é um exemplo disso. Nosso coração precisa se esforçar para, mesmo em meio a dificuldades, recordar os pequenos e grandes feitos do nosso Pai, assim como Seu cuidado e amor.

Com altos e baixos durante a história, a Páscoa do Senhor continuou. Pouco antes de Jesus ser preso, Ele estava celebrando a Páscoa, recordando com os seus discípulos aquilo que Deus tinha feito e falado.

“Chegada a hora, Jesus se pôs à mesa, e os apóstolos estavam com ele. Então Jesus lhes disse: — Tenho desejado ansiosamente comer esta Páscoa com vocês, antes do meu sofrimento. Pois eu lhes digo que nunca mais a comerei, até que ela se cumpra no Reino de Deus. E, pegando um cálice, depois de ter dado graças, disse: — Peguem e repartam entre vocês. Pois eu digo a vocês que, de agora em diante, não mais beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus. E, pegando um pão, tendo dado graças, o partiu e lhes deu, dizendo: — Isto é o meu corpo, que é dado por vocês; façam isto em memória de mim. Do mesmo modo, depois da ceia, pegou o cálice, dizendo: — Este cálice é a nova aliança no meu sangue derramado por vocês.”

Esse foi um momento muito importante. A hora da crucificação estava muito próxima e Ele queria celebrar a Páscoa com os seus discípulos, que haviam caminhado com Ele e visto milagres e maravilhas. Novamente, disse: “façam isso em memória de mim”. Mais uma vez, foi nos dada a instrução de lembrarmos Suas ações e palavras. Afinal, tudo que é importante precisa constantemente estar em nossos lábios e corações.

Desde então, provavelmente, os discípulos nunca se esqueceram dessa ceia, passando a repeti-la por muitos anos até que chegasse aos dias atuais. Ainda hoje, nós a realizamos em nossas igrejas, pelo menos uma vez por mês. E desse modo, lembramos o sacrifício de Cristo. Relemos e ouvimos sobre a Sua morte e nossos corações se constrangem mais uma vez com tamanho amor.

Depois de passar esse tempo com os discípulos, comemorando a Páscoa, Jesus foi preso, açoitado, zombado e crucificado (cf Mateus 26-27; Marcos 14-15; Lucas 22-23; João 18-19). Tudo aquilo que Isaías tinha profetizado, aconteceu:

“Mas ele foi traspassado por causa das nossas transgressões, foi esmagado por causa de nossas iniquidades; o castigo que nos trouxe paz estava sobre ele, e pelas suas feridas fomos curados. Todos nós, como ovelhas, nos desviamos, cada um de nós se voltou para o seu próprio caminho; e o Senhor fez cair sobre ele a iniquidade de todos nós. Ele foi oprimido e afligido; e, contudo, não abriu a sua boca; como um cordeiro, foi levado para o matadouro; e, como uma ovelha que diante de seus tosquiadores fica calada, ele não abriu a sua boca.”

Predita mais ou menos 700 anos antes, a história se concretizou e jamais foi esquecida. Quantos israelitas devem ter transmitido a história da libertação do povo e depois, as profecias a respeito de Jesus para seus filhos, até que elas se cumprissem!

Deus planejava salvar a humanidade e para isso, enviou Seu único filho, Jesus. Nós nunca merecemos tamanho amor e sacrifício, mas o recebemos de graça. Apesar de injustiçado, zombado e machucado, Cristo perseverou na vontade do Pai; Ele não desistiu de nós ao ouvir os gritos de ódio do povo. Povo esse que, naquele momento, era liberto do pecado. Jesus não se revoltou. Ao contrário, Ele nos amou e mostrou o significado disso. Muito mais do que um sentimento, o amor é uma ação que envolve sacrifício e renúncia.

Além disso, através da morte de Jesus, recebemos o Espírito Santo bem como o privilégio de viver em Sua Presença todos os dias. Tivemos nossa conexão com Deus Pai restabelecida por meio do sofrimento de Cristo:

“O véu rasgado não é somente um símbolo da Sua morte, mas representa também o dilaceramento de Alguém em nosso favor. Não fosse por isso, jamais acessaríamos a presença de Deus como hoje, muito menos escutaríamos a voz do Espírito Santo em nossos corações. Quanto mais caminharmos com o Senhor, mais teremos a revelação desse imenso privilégio que é buscá-lO e encontrá-lO; essa honra precisa ser valorizada a cada dia. Ele não tem obrigação de Se revelar. Somos nós que temos o maior presente: Sua presença disponível pelo sacrifício de Cristo.”

Mais tarde, quando Maria Madalena dirigiu-se ao túmulo, ela não encontrou o corpo de Jesus. No lugar, ela deparou-se com um anjo que anunciou que Ele não estava mais morto. Após esse encontro, o próprio Jesus revelou-se a ela e Maria viu, com os próprios olhos, o Salvador vivo (cf Mateus 28:1-10). Que alegria! Ele não está morto! Ele ressucitou! Podemos ter esperança porque Ele vive!

Depois de encontrar-se com Maria Madalena, Jesus ainda visitou os discípulos e os instruiu a pregarem o Evangelho por todas as nações, batizando-as em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo (cf Mateus 28:19-20).

Imagine como eles devem ter se sentido! Depois de ouvir tantas parábolas e menções à morte de Jesus, tudo de fato aconteceu. E aconteceu de forma impressionante. Acredito que eles estavam, ao mesmo tempo, temerosos e muito animados. Seriam eles os responsáveis por começar a espalhar tudo aquilo que eles viveram e aprenderam sobre o Reino dos Céus, transmitindo salvação e esperança diariamente! E, por causa disso, hoje sabemos o que aconteceu naqueles dias. Agora, cabe a nós sempre nos lembrarmos do grande amor de Deus e passar essa mensagem adiante. Assim, todos saberão que foram libertos e que podem crer na promessa de Jesus:

“E, quando eu for e preparar um lugar, voltarei e os receberei para mim mesmo, para que, onde eu estou, vocês estejam também.”

Precisamos ler a Palavra todos os dias a fim de manter acesa, em nossos corações, a memória daquilo que Ele falou. Além disso, devemos celebrar a ceia em família, com diligência, humildade e gratidão.

Que possamos nos lembrar, assim como os israelitas no deserto, do verdadeiro significado da Páscoa e transmiti-lo aos nossos filhos e amigos, para que esperemos, juntos, pelo final da história; quando O encontraremos e viveremos com Ele, em eterna adoração.

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