Carrinho

Essa é a parte final de uma história de ficção. Vamos concluir a história de Thomas e a jornada na qual ele entrou para encontrar o Livro perdido.

Depois de muitas horas de vôo, cheguei em Tel Aviv. Não sabia exatamente o que tinha de fazer, mas, pela minha experiência anterior, sabia que, de alguma forma, seria guiado ao meu destino. 

Saí do aeroporto e, depois de pedir indicação para um segurança, peguei um ônibus para ir até Jerusalém. Em cinquenta minutos, cheguei ao centro histórico da cidade. Pesquisei por um hostel e o único em que eu encontro com um preço bom e disponível fica perto do Muro das Lamentações. Então peguei um táxi e decidi conhecer o Muro antes de ir para onde vou dormir.

O taxista me cumprimentou com um sorriso; seus olhos estavam cansados, mas parecia bem-humorado. Ele percebeu que era estrangeiro e conversou comigo em inglês: 

– Você é de onde?

– Do Brasil.

– Ah! A terra do futebol!

– Sim! Você gosta?

– Eu amo futebol! E o que você está fazendo aqui em Israel? Turismo?

– Quase. Estou procurando um livro que meu avô disse ser mágico.

– Isso é muito interessante. Acho que eu sei de qual livro você está falando, mas vou te deixar descobrir sozinho. Me avise se o encontrar. Meu nome é Saul.

– Pode deixar.

Depois de alguns minutos, chegamos ao Muro das Lamentações. 

Assim que desci do carro, avistei um grupo de turismo com mais ou menos quinze pessoas. Eu me aproximei para ver se descobriria algo interessante sobre aquele lugar. Meu conhecimento sobre Israel é bem limitado e achei que, se eu soubesse mais, teria mais probabilidade de encontrar o livro perdido.

Demorei para entender o que o guia do grupo de turismo estava falando, mas consegui captar algumas partes. Ele disse que ali tinha o templo que Herodes havia construído. Tropas romanas o destruíram, mas haviam deixado uma parte do muro. Hoje, os judeus vão até lá para fazer pedidos e orar.

– Aqui é um lugar muito importante para os judeus. Eles acreditam ser um local sagrado e de muito poder. Como vocês podem ver com seus próprios olhos, algumas pessoas oram fervorosamente. É interessante a gente pensar em nossa vida de oração. Temos acreditado no poder que a oração tem? Temos clamado fervorosamente por algo?

Não conseguia entender. Por que meu avô me levaria até lá? Para saber mais sobre religião? Comecei a andar para pensar melhor, mas nada acontecia. Cheguei perto do muro e decidi tentar o que o guia falou. Orei.

– Deus, eu não sei orar, e nem tenho certeza se acredito na sua existência. Mas tenho vistos alguns sinais e meu coração está começando a achar que você tem algo a ver com isso. 

Coloquei as mãos no muro e continuo.

– Eu estou bem perdido e quero me encontrar. Se foi você quem me trouxe para essa jornada, não me deixe no meio do caminho, por favor. Me encontre.

Quando terminei a oração, já estava tarde, por isso fui para o hostel. Não sei como, mas consegui dormir super bem. Acordei e fui ao centro histórico, tentar encontrar algo para comer. 

Enquanto procurava uma padaria, avistei o mesmo grupo de turismo do dia anterior. Decidi me aproximar para ouvir o que eles falavam. O guia estava contando a história da ilha de Pitcairn. Pelo o que eu entendi, em 1789, 9 marinheiros de um brigue inglês começaram um protesto, sequestraram pessoas, tomaram a embarcação e acabaram chegando na ilha de Pitcairn. A ilha se tornou o lar deles e, depois de um tempo, muitas brigas começaram a acontecer. 

O guia continuou a história e leu um trecho de um livro que descobri depois se chamar O Livro que Transforma Nações, escrito por Loren Cunningham.

“Um dos homens descobriu como fazer licor a partir das raízes de uma planta chamada Ti, também conhecida como “Planta da boa-sorte”, que cresce em abundância na ilha. Logo, seu alambique caseiro estaria produzindo álcool suficiente para deixar todos embriagados. Por conta disso, brigas surgiam, normalmente devido à disputa por mulheres ou insultos racistas. Alguns dos náufragos morreram de doença. Um deles se suicidou ao pular despenhadeiro abaixo no mar. Ninguém sabe ao certo, pois as informações diferem, mas fato é que aconteceram ao menos dois massacres. Por fim, o homem polinésio e todos os amotinados foram mortos, com exceção de um: Alexander Smith, que mudou seu próprio nome para John Adams. Além dele, dez mulheres sobreviveram, assim como os descendentes dos desordeiros.”

Fiquei vidrado, ouvindo essa história; precisava saber qual seria seu fim. Então, continuei escutando o guia, que contou que esse homem, John Adams, encontrou um livro deixado a ele pela mãe em um baú. A partir da leitura e aplicação desse livro, a ilha de Pitcairn virou um lugar de paz. O guia lê mais um trecho:

“Em 1808, um navio norte-americano, o Topaz [que, em português, significa topázio], chocou-se com a ilha inexplorada e encontrou o povoado — Adams, as mulheres e os jovens, alguns dos quais estavam no final da adolescência. O capitão e a tripulação do Topaz, assim como outros navegadores que foram até lá ao longo dos anos seguintes, descreveram o lugar como tranquilo e próspero. Por alguma razão, o pedido inicial de busca e julgamento dos amotinados tinha acabado. Então, dois capitães britânicos chegaram até a ilha, enquanto outros mensageiros voltaram para a Inglaterra com a recomendação de que o governo do rei George deixasse os moradores de Pitcairn em paz. Eles reportaram que a cultura na ilha era como a Idade do Ouro. Desde que Adams tinha começado a ensinar-lhes sobre a Bíblia, nenhuma jovem tinha sido mais violentada. Não se sabia mais o que era roubo. Eles viviam em paz e harmonia.”

Foi nesse momento que eu percebi que o guia estava falando sobre o livro que eu estava procurando! A Bíblia! Comecei a chorar. Cruzei o mundo em busca de um livro que eu já sabia existir. Por que meu avô não disse logo que livro era? Será que eu precisava da jornada para entender o que era mágico a respeito dele? 

Enquanto estava tentando descobrir que “magia” era essa, os membros do grupo de turismo começaram a ler partes do livro que eu estava procurando.

– “Pois o Filho do homem veio buscar e salvar o que estava perdido”. 

Eu estava perdido.

– “Contudo, aos que o receberam, aos que creram em seu nome, deu-lhes o direito de se tornarem filhos de Deus.”

Agora eu poderia ser filho?

– Porque um menino nos nasceu, um filho nos foi dado, e o governo está sobre os seus ombros. E ele será chamado Maravilhoso Conselheiro, Deus Podero­so, Pai Eterno, Príncipe da Paz.”

Paz?

– “Porque sou eu que conheço os planos que tenho para vocês’, diz o Senhor, ‘planos de fazê-los prosperar e não de causar dano, planos de dar a vocês esperança e um futuro.”

Esperança?

Minha ficha caiu. O livro era sim poderoso. Transformou-me de perdido em encontrado, de escravo em filho, de amargurado em cheio de paz. O livro era capaz de reformar o meu interior e isso era tudo que eu precisava. O meu avô sabia que eu precisava da minha própria jornada para acreditar no poder do livro. Precisava sentir meu coração se tornando diferente. Necessitava buscar para encontrar.

Nunca estive tão feliz. Eu encontrei o livro perdido, na verdade, acho que o livro perdido que me encontrou. E, agora, estou com uma sensação de que as palavras contidas no livro serão o maior tesouro que irei carregar.

Política de privacidade