Carrinho

Essa é a segunda parte de três de uma história de ficção. Vamos continuar a história de Thomas e a jornada na qual ele entrou para encontrar o Livro perdido.

A sala era muito grande, muito mesmo. E, para todos os lugares que eu olhava, via livros. Claro, eu estava em uma biblioteca, mas o acervo parecia maior do que a grande sala comportava. No centro, estavam cinco homens, sendo três aparentemente na faixa dos setenta anos e os outros dois, dos quarenta.

Eles olharam para mim, esperando que eu falasse alguma coisa, mas não consegui pensar em nada. Por que eu estava ali mesmo? Depois de alguns segundos de silêncio, o que parecia ser o mais velho olhou bem nos meus olhos. Ele tinha uma expressão leve, como se não se preocupasse com nada. Embora o cabelo fosse grisalho, seu olhar era jovial. Instantes depois, ele me perguntou:

– Como podemos ajudá-lo?

– Estou procurando pelo livro perdido.

– Como ficou sabendo sobre ele?

– Meu avô o procurou por muito tempo e eu estou continuando de onde ele parou.

– E por que você quer encontrá-lo?

Honestamente, eu não havia refletido sobre o motivo da minha busca, mas assim que o homem me perguntou, soube a resposta.

– Meu avô sempre me inspirou. Ele viveu de verdade e pareceu sempre saber o que estava fazendo, e, se ele achou que eu deveria procurar esse livro, acredito que tinha uma boa razão.  

– Você não sabe sobre do que o livro se trata?

– Não.

– Interessante. Você precisa saber de uma coisa: Algumas barreiras terão de cair para que o livro tenha efeito. Sinto que seu coração está fechado para acreditar nas coisas que fogem do natural.

Ele estava certo; meu coração sempre fora duro. Porém, eu já estava ali e não poderia desistir.

– Tudo bem.

O homem se levantou e dirigiu-se a um mapa que estava pendurado em uma parede. Apontou para o meu próximo destino: Jerusalém.

Agradeci aqueles homens e saí da biblioteca. A recepcionista sorriu quando passei por ela. Ela parecia saber o que eu estava prestes a viver.

Para ir de Atenas até Jerusalém, era necessário pegar um voo e um ônibus. Eu estava sem dinheiro suficiente, então fiquei alguns dias lavando louça em um restaurante para juntar o suficiente para as passagens. Depois de três semanas, surgiu uma promoção e eu consegui comprar.

Chegou o dia da viagem e eu estava me sentindo nervoso. E se fosse impossível encontrar o livro? E se eu o encontrasse, mas me decepcionasse com o conteúdo? Talvez meu coração tivesse realmente muita dificuldade em acreditar em concepções além da razão.

Estava pensando em tudo isso no caminho para o aeroporto quando o taxista avisou que havíamos chegado, tirando-me dos meus devaneios. Saí do táxi e fiquei parado, sem coragem para entrar no aeroporto. 

Um jovem de mais ou menos vinte anos, com um rosto amigável e uma barba por fazer, estava esperando sua carona e ficou me observando por um tempo até que veio em minha direção para falar algo que eu nunca vou esquecer:

– Você está com medo de ter que utilizar a sua fé, não é mesmo?

Eu me assustei e fiquei sem resposta, então ele sorriu e continuou:

– Não quero assustá-lo. Sei que você não me conhece, mas Deus me pediu para te falar algo. Eu quase não vim, mas acho que você estava demorando para entrar justamente para que eu não tivesse outra opção. O recado é este: não tenha medo de acreditar em algo que a sua mente não pode compreender. Logo tudo fará sentido. O livro que você procura é real e mais poderoso do que você pensa.

Nunca fiquei tão assustado na minha vida, mas ao mesmo tempo tão cheio de paz. Eu estava no caminho certo. As perguntas que fiz apenas internamente foram respondidas por um completo desconhecido. Como isso era possível? Eu comecei a rir. Será que Deus realmente se importava com a minha jornada em busca de algo que eu nem sabia o que era?

Não estava entendendo nada, apenas que devia continuar a minha aventura. Então, entrei no aeroporto, fiz o meu check-in e, depois de algumas horas, estava viajando para Israel.

Parte final no dia oito de agosto.

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