Carrinho

Essa é a primeira parte de três de uma história de ficção. Vamos conhecer o Thomas e a jornada na qual ele entrou para encontrar o Livro perdido.

Meu nome é Thomas Ferreira. Tenho vinte e dois anos e há 2 anos viajo pelo mundo. Já conheci toda a América do Sul e agora me encontro na Europa. Minha jornada começou quando meus pais me pressionaram para decidir minha carreira e minha faculdade. Não fazia ideia do que eu queria e, para falar a verdade, ainda não sei. Arrumei um emprego e juntei dinheiro suficiente para viajar, mas não se engane, não é confortável. Eu sou o que chamam de mochileiro.  

Meus pais não estão felizes com o que faço, mas sinto que eles entendem as minhas razões. Tenho procurado por propósito e um motivo para voltar e, dessa vez, acho que estou perto.

Iniciei essa jornada após o falecimento do meu avô. Nós éramos muito próximos. Até seus últimos dias, ele falava sobre política, atualidades e mesmo sobre filmes. Era um homem decente, meu exemplo e inspiração. 

Dois dias depois da sua morte, a minha avó me entregou uma carta que ele havia deixado para mim. Eu a leio quase todos os dias.

Querido Thomas,

Meu tempo nesta terra está chegando ao fim. Eu estou bem, não se preocupe. Vivi uma vida muito boa com muitas aventuras e histórias, mas queria que você soubesse da história mais importante de todas. 

Quando eu tinha vinte anos, viajei para a índia para me encontrar. Enquanto estava lá, conheci um homem chamado Raj. Ele me disse que o único jeito de me encontrar era achando um livro “mágico”. Eu passei a viajar em busca desse livro e cheguei perto, mas nunca o encontrei.

Sei que você tem se sentido perdido e acredito que o livro será a solução. Eu parei a minha busca em Roma. Encontre um guia de viagens chamado Vincenzo e continue o que eu comecei.

Viva a sua aventura, meu filho! Vai valer a pena!

Com amor, 

seu avô

P.S.: Te deixei também o meu relógio preferido e toda a minha biblioteca pessoal. O tempo e o conhecimento são preciosos e você logo saberá disso.

Por onde vou, carrego essa carta. 

Minha jornada começou em Roma, claro. Fui a cinco agências de viagens antes de encontrar a agência do Vincenzo. Quando falei sobre meu avô, ele logo se lembrou.

– Eu me lembro dele! Ele disse que estava procurando por um livro mágico. Não sei como, mas ele sabia que eu tinha conhecimento sobre o livro.

– E o que você sabia sobre ele?

– Três coisas. A primeira é que eu sei que ele é realmente um livro poderoso. Segundo, uma pequena parte dele foi escrito em Roma e o terceiro é que ele está em outro lugar.

– E você sabe qual lugar?

– Ele foi levado daqui muitos anos atrás e foi para a Grécia.

– Que bom que eu estou em uma agência de viagens.

Vincenzo sorriu para mim e logo eu estava com as passagens de trem e de barco compradas para a Grécia.

Antes de eu partir, Vincenzo disse que eu deveria procurar um grupo de senhores que estudavam na biblioteca de Atenas. Então, quando cheguei à cidade, depois de perguntar a algumas pessoas que passavam por mim, parei na biblioteca central.

Ela era linda e majestosa, assim como tudo na Grécia. Senti-me minúsculo ali. Na recepção, tinha uma senhora bem pequena. Fui até ela e indaguei sobre o grupo de senhores que estudavam lá. Com uma expressão estranha no rosto, ela me respondeu:

– Eu não sei do que você está falando.

– Acho que não expliquei direito. Soube que um grupo de senhores vêm com frequência a essa biblioteca para estudar. Acredito que eles estão todos na faixa dos setenta anos e têm o costume de vir aqui todos os dias.

– Ah, você está falando dos “antrón”?

Eu não sei grego, então apenas deduzi que eram eles que eu estava procurando e concordei com a cabeça. Depois eu pesquisei e descobri que essa palavra significa “cavalheiros”. A senhora continuou falando.

– Eles estão na sala superior. Você precisa ser convidado para ir até lá.

– E como eu posso ser convidado?

– Por que você quer ir lá, jovem?

– Eu estou procurando uma coisa.

– Todos estamos, não é mesmo?

Eu sorri para ela e ela sorriu de volta. Depois de alguns segundos, ela voltou a falar.

– Vou tentar convencê-los a deixar você entrar. 

– Sério? Por que você faria isso?

– Você me lembra alguém.

A senhora não disse mais nada, apenas sorriu e saiu. Observei enquanto ela subia as escadas e, depois do que pareceram horas, ela voltou e me pediu para acompanhá-la.

Nunca vou esquecer do que vi quando entrei na sala superior.

Continua na segunda parte, dia primeiro de agosto.

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