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Queremos começar esse texto com a seguinte pergunta: você tem vivido por meio da graça ou por meio da misericórdia de Deus? É bom ressaltar que todos nós dependemos das duas, mas podemos estar mais dependentes de uma do que da outra. Se nos encontramos constantemente dependendo da misericórdia e não encontramos graça, provavelmente não estamos vivendo a vontade do Pai, pois é na vontade d’Ele que alcançamos graça para cumprir aquilo que Ele nos direciona a fazer.

 

A graça e a misericórdia são conceitos relacionados ao caráter do Criador, mas têm significados distintos. Enquanto a misericórdia é o ato de reter o castigo merecido, a graça é o ato de conceder ao pecador favor imerecido. 

 

Graça

 

A graça é um ato de amor incondicional e gratuito por parte de Deus em favor da humanidade. Ela é oferecida aos seres humanos independentemente de qualquer mérito ou ação positiva que possam realizar. Em outras palavras, a graça é uma expressão do amor do Pai que não pode ser conquistada ou merecida, é um dom livremente concedido e a base da salvação. Somente por meio da graça as pessoas são capazes de receber o perdão e a reconciliação com Deus.

 

 

E, se é pela graça, já não é pelas obras; do contrário, a graça já não é graça [...].

Misericórdia

 

A misericórdia, por sua vez, é a compaixão e a bondade que o Senhor demonstra para com os seres humanos que estão em necessidade ou em sofrimento. A misericórdia é a disposição de Deus em perdoar e não castigar aqueles que merecem castigo. Também é uma expressão do amor do Pai pelos seres humanos, frequentemente associada à ideia de redenção e salvação.

 

Em resumo, a graça é um dom gratuito de Deus, que é oferecido independentemente do merecimento ou ação humana, enquanto a misericórdia é a bondade e a compaixão do Pai que são demonstradas para com aqueles que estão em necessidade ou em sofrimento. Ambos os conceitos são fundamentais para a caminhada cristã, e refletem o amor e a bondade do Senhor para com a humanidade.

 

Mas, afinal, o que nos exclui da graça de Deus?

 

Dois pontos nos levam a sermos excluídos da graça. Viver fora do favor de Deus é viver na misericórdia. Esse lugar é mais conhecido como desobediência, onde não encontramos favor para direções contrárias, acabamos dependendo apenas da nossa força e ela não é suficiente para cumprirmos o propósito, pois necessitamos da graça que nos impulsiona a ir mais longe.

Cuidem para que ninguém fique afastado da graça de Deus, e que nenhuma raiz de amargura, brotando, cause perturbação, e, por meio dela, muitos sejam contaminados. ‭‭

Toda raiz de amargura nos tira da perfeita vontade do Pai, gerando um comportamento mais inclinado para a carne do que para o espírito. Com isso, consequentemente chegamos aos dois pontos que nos exclui da graça — o legalismo e a libertinagem. Ambos operam através do engano, que vem da raiz da amargura, e fazem com que nos questionemos se o sangue de Jesus é suficiente, com pensamentos como: será que não consigo fazer pela minha força mesmo? 

 

Legalismo

 

 

Encontramos um exemplo desse comportamento em Gálatas 3, quando Paulo relembra à igreja de Gálatas a verdade sobre a dependência na fé e não nas próprias obras. Ele os lembrou, também, do fato de que, pela fé em Jesus, eles eram filhos legítimos de Deus (cf. Gálatas 3.26).

Ó insensatos gálatas! Quem vos fascinou para não obedecerdes à verdade, a vós, perante os olhos de quem Jesus Cristo foi evidenciado, crucificado, entre vós? Só quisera saber isto de vós: recebestes o Espírito pelas obras da lei ou pela pregação da fé? Sois vós tão insensatos que, tendo começado pelo Espírito, acabeis agora pela carne?

O legalismo nos tira de um lugar de dependência no Senhor, pois, quando somos guiados por ele, agimos muito mais pelo que faz sentido humanamente, ao invés de buscarmos uma palavra de Deus. Quando fazemos essa escolha, caímos no engano de que estamos vivendo a vontade d’Ele, quando, na realidade, não estamos, pois faz parte da vontade do Pai vivermos dependentes da Sua graça, é somente nela que podemos fazer o que fomos chamados para fazer.

 

Libertinagem 

 

É uma escolha de viver insubmisso à vontade de Deus, uma forma de agir sem restrições morais, sem consideração pelas consequências das próprias ações ou dos outros. Achamos um exemplo, em Gálatas, também sobre esse comportamento. Paulo alerta que nossa liberdade em Cristo não se baseia em fazer o que quisermos e seguir as vontades da carne, mas em ser livre do pecado e das nossas próprias vontades corrompidas. A liberdade que ganhamos na Cruz não é uma licença para pecar, mas uma liberdade para servir ao Senhor e cumprir o nosso chamado aqui na Terra.

Pois é com liberdade que Cristo nos libertou. Portanto, permaneçam firmes e não se deixem submeter novamente a um jugo de escravidão. (...) Vocês foram chamados para a liberdade, irmãos. Mas não usem da liberdade para dar ocasião à carne; pelo contrário, sirvam uns aos outros mediante o amor.

A libertinagem é sobre “dar lugar à carne”, permitindo que seus desejos e impulsos carnais, ou seja, aquilo que é contrário à vontade de Deus, guiem suas ações e escolhas. Quando alguém “dá lugar à carne”, essa pessoa está colocando suas próprias vontades acima da vontade do Pai, e isso pode levar a comportamentos que a afastam d’Ele. A Bíblia nos ensina que a ideia de “dar lugar à carne” é contrastada com a de viver de acordo com o Espírito Santo, que representa a vontade de Deus. Paulo, em sua carta aos Gálatas, escreve: “Porque a carne luta contra o Espírito, e o Espírito luta contra a carne, porque são opostos entre si, para que vocês não façam o que querem.” (Gálatas 5.17).

 

Nosso compromisso como filhos do Rei é conhecer a vontade d’Ele e a Sua Palavra, vivendo de acordo com ela. Não existem desculpas para vivermos uma vida leviana e sem compromisso, pois o próprio Espírito Santo nos revela a Verdade quando buscamos conhecê-la.

Porque o pecado não terá domínio sobre vós, pois não estais debaixo da lei, mas debaixo da graça. Então, que diremos? Permaneceremos no pecado, para que seja a graça mais abundante? De modo nenhum! Como viveremos ainda no pecado, nós os que para ele morremos?

Nós morremos para nós mesmos e hoje temos o privilégio de viver uma vida de dependência constante da graça de Deus e do Seu infinito amor, que é poderoso para nos transformar. Por isso, faça escolhas sábias e guiadas pelo Espírito Santo. Então você verá os frutos eternos da sua fidelidade ao Senhor; em cada passo de obediência, você encontrará a Sua graça.

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