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Domingo. O dia do descanso. O dia de ir à igreja. O dia separado para louvar e para escutar o sermão. Quantos de nós vivem essa rotina semana após semana? Alguns nasceram nesse contexto e se acostumaram a ele, outros o conheceram na juventude. Alguns se acostumaram, outros abandonaram.

Desde muito tempo a igreja tem sido um lugar de descanso, renovo e comunhão. Ao mesmo tempo, é o palco de algumas brigas, mágoas e frustrações. Temos dilemas sobre o assunto; discutimos com os que escolhem não pertencer a nenhuma igreja, mas levando tudo em consideração, quão importante é esse ambiente no nosso contexto?

Vivemos, hoje, um período complexo; enfrentamos medos nunca antes percebidos e confrontamos a dura realidade de que precisamos nos cuidar. No começo da pandemia, tivemos de cancelar os cultos presenciais e pensar em outras formas de realizá-los. Deixamos de congregar, de olhar nosso irmão nos olhos e de abraçar os amigos. Paramos de pular, de orar um pelo outro com as mãos nos ombros. Estávamos olhando para telas. Depois de alguns meses, não cantávamos mais as músicas do louvor; apenas ouvíamos, às vezes deitados e sem foco. Começou a ser difícil prestar atenção na palavra do pastor. O sermão parecia mais confuso e demorado do que o normal. Para os que serviam, a dificuldade era não ter feedback, sem ouvir as reações e saber se os espectadores estavam de fato absorvendo.

No fim, paramos de tentar. 

Mas por quê? Por que o coração de alguns se esfriou? Por que aquilo que era tão importante antes, aparentemente deixou de ser?

Nós tivemos de tomar essas medidas, afinal algo muito grande estava em jogo. É necessário cuidar do nosso povo e obedecer as medidas impostas. Mas por que não sentimos tanta falta de voltar?

A realidade é que é muito fácil nos habituarmos a novas rotinas. Algumas vezes, nos acostumamos sem perceber. É natural nos adaptarmos às circunstâncias diferentes. Só precisamos nos lembrar disso: realmente amamos estar com nossos irmãos, errando ou acertando. Necessitamos de questionamentos e de ideias diversas. A vida também fica mais leve quando temos um ombro para chorar e um riso fácil para compartilhar. Além disso, é crucial termos um lugar aonde vamos frequentemente para pedir oração e orar uns pelos outros. 

Como o profeta Jeremias disse:

“Quero trazer à memória o que me pode dar esperança.”

Congregar com aqueles que amam o mesmo Deus, clamam juntos por Ele, e entendem que as frustrações e desafios da vida são parte do processo e que o fim da história é melhor do que o começo nos dá esperança. Onde o nome de Jesus é declarado há consolo e restauração. Ali há esperança de vida eterna.

“Comunhão”, pelo Dicionário Michaelis, significa: conjunto de pessoas que partilham as mesmas crenças, ideias, tendências, valores etc. Estar em um lugar compartilhando os mesmos valores e animando uns aos outros, nos inspira a sairmos das quatro paredes para fazermos a diferença no nosso trabalho e na sociedade. Além disso, é através dessa unidade que descobrimos que todos são importantes para o funcionamento do corpo (cf. 1 Coríntios 12.12-31). Quando percebo que existem coisas que não consigo fazer, mas que meu irmão consegue, entendo o significado de caminharmos juntos, trabalhando pela mesma missão.

Os cuidados não acabaram e devemos continuar atentos. Contudo, também é necessário prepararmos nossos corações para não esquecermos que nosso lugar é na igreja, em família, guerreando e nos alegrando juntos. Devemos estar sensíveis à voz do Pai. Ele está nos chamando para casa.

“Como é agradável o lugar da tua habitação, Senhor dos Exércitos! A minha alma anela, e até desfalece pelos átrios do Senhor; o meu coração e o meu corpo cantam de alegria ao Deus vivo. Até o pardal achou um lar, e a andorinha um ninho para si, para abrigar os seus filhotes, um lugar perto do teu altar, ó Senhor dos Exércitos, meu Rei e meu Deus. Como são felizes os que habitam em tua casa; louvam-te sem cessar! Pausa Como são felizes os que em ti encontram sua força, e os que são peregrinos de coração! Ao passarem pelo vale de Baca, fazem dele um lugar de fontes; as chuvas de outono também o enchem de cisternas. Prosseguem o caminho de força em força, até que cada um se apresente a Deus em Sião. Ouve a minha oração, ó Senhor Deus dos Exércitos; escuta-me, ó Deus de Jacó. Pausa Olha, ó Deus, que és nosso escudo; trata com bondade o teu ungido. Melhor é um dia nos teus átrios do que mil noutro lugar; prefiro ficar à porta da casa do meu Deus a habitar nas tendas dos ímpios. O Senhor Deus é sol e escudo; o Senhor concede favor e honra; não recusa nenhum bem aos que vivem com integridade. Ó Senhor dos Exércitos, como é feliz aquele que em ti confia!”

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